segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Capítulo 7

Capítulo 7



E assim foi o resto dos dias: Alice saía da escola e encontrava David no portão. Eles ficavam uma hora juntos, andando de skate. Alice estava indo muito bem nas aulas e não foi preciso mais nenhuma caixinha de band-aid. Ela voltava correndo para casa, ajudava a mãe à fazer os doces e saia para vendê-los para os vizinhos. Voltava para casa, tomava um banho, quando dava tempo descansava e ia para o curso. Alice chegava meia hora mais cedo e ficava conversando, rindo e tirando fotos com David que a esperava até de noite e a levava na esquina casa.
    Depois de um ano de encontros e desencontros, Alice e David se tornaram melhores amigos. Anadavam juntos para cima e para baixo, menos quando Alice ia fazer as entregas, pois Angela espreitava da janela. Por fim, Alice aprendeu a andar de skate. Já até andava na rampa com David e alguns amigos dele.
E Angela nunca conhecera David, assim como Alice nunca conhecera a mãe de David.
Não por nada, mas sempre que tocava no assunto, David ficava sem graça e a menina mudava o rumo da conversa. 
          Em um dia desses, Alice saiu do colégio e ali estava David a esperando, como sempre.
Mas tinha algo errado.
Ele parecia nervoso, sério demais. Devia ser algum desintendimento com algum amigo, Alice o abraçou mais demoradamente neste dia. Vai ver ele estava precisando de um conforto não é?
Alice não tinha amigos no colégio, mas ela não se importava! Ela tinha David que ela amava muito, muito mesmo. Mas apesar de tudo, ela nunca o nunca o contaria. Tinha medo de estragar a amizade, perder todo o encanto. E tem também o fato de que.. Ela não tinha muita certeza se ele também a amava. Ele dava umas indiretas ás vezes, mas era o jeito dele. Ser assim, protetor e encantador. Ele sempre fora assim.
Mas enfim, como eu ia dizendo, naquele dia rotineiro havia algo estranho.
David estava quieto e não disse uma só palavra até chegarem à praça. Alice parou e se virou para David.
- Que bicho te mordeu menino? Você está se sentindo bem?
- Alice...
- Diga Dave, o que houve?
- Preciso te contar uma coisa.
- Sobre?
- É... Eu não sei como começar.
- Do começo.
Alice disse, tentando descontrair o nervosismo de David. Mas não estava adiantando muito. Ele estava inquieto e não conseguia olhar diretamente para ela.
- Você está me preocupando David. O que houve?

David olhou para Alice e o coração dela acelerou ao ver o olhar. Um olhar iluminado, mas com medo de algo. Um olhar misterioso, mas cheio de significados.
David segurou as mãos de Alice.
- Alice...
Será que ele vai me beijar? Ai Jesus, eu não sei beijar! Dizer que me ama? Oh Meu Deus, o que eu farei? E... Se for realmente tudo isso, como será nosso futuro? E a nossa amizade? Tem minha mãe também... Não, ele não pode falar isso! Não, não! -Alice pensava, aflita.
- Diga David... O que houve?
Alice estava prester a explodir de curiosidade.
- Eu vou ser direto...
- Então diz logo!
David fechou os olhos e respirou fundo, apertou as mãos de Alice nas suas.
- Ok...
David abriu os olhos, como que buscando algum apoio nos olhos de Alice. Ela sorriu, o encorajando. E a menina podia jurar ter visto uma lágrima se formando em seu rosto. Mas não teve muita certeza.
- Eu te amo Alice!
O coração de Alice parou por um segundo e então voltou a bater violentamente. Ela não tinha certeza se ouvira direito.
- O que disse?
- Exatamente o que você ouviu! Eu amo você. Alice... Eu a quero comigo mais do que uma simples melhor amiga. Eu quero que você seja minha, para sempre!
Alice estremeceu por inteiro. Ela ficou sem conseguir respirar. Em seus olhos, vieram lágrimas juntamente com as gotas de chuva que caía do céu. Ela estava paralisada e as gotas geladas a trouxeram á realidade.
- Desculpe... Eu....
E então Alice não soube dizer mais nada. Só soube correr o mais rápido que pôde para casa.
David não a impediu de correr, pois estava também sem reação, as lágrimas camufladas pelas gotas que caíam do céu. E assim ele ficou, chorando e sendo consolado pelo abraço frio que a chuva lhe dava. A chuva gelada chorava junto com David, como se fosse uma melhor amiga e que também estava tão distante agora.
 
 

 

Capítulo 6

Capítulo 6

                Alice chegou em casa ás 15h30min e Dona Angela, na cozinha, de avental e fazendo doces, surtou ao ver a menina.
- Isso são horas de chegar em casa? Você nem sequer me disse que iria sair! Você nunca foi assim garota. O que tá acontecendo? Eu preciso da sua ajuda pra fazer os doces e aonde voce estava? E... O que são esses machucados no seu corpo dona Alice? Aonde é que você esteve esse tempo todo? Com aquele tal garoto? O que está acontecendo com você garota, perdeu o juízo? Não tem casa? Pode falar agora Alice! Ou a senhora estará de castigo por uma semana!
Dona Angela, ultimamente, vinha emagrecendo muito. Olheiras eram visíveis em seu rosto e ela adornara uma coloração pálida em sua pele, inexplicavelmente. Qualquer precipitação, ela ficava com falta de ar e fraqueza. Mas estes eram sintomas que passavam despercebidos na maioria das vezes.
Alice chegou, bebeu um copo cheio d'água enquanto sua mãe falava. Ao terminar, ela olhou para sua mae e sorriu, tranquila.
- Ei mãe, se acalme. Eu só cai, está tudo bem. Não se preocupe, fique tranqüila. Ah.. E eu te amo
Alice usou as palavras de forma tão doce e meiga que deixou dona Ângela sem saber o que dizer, com cara de perplexidade. 
Alice entrou no banho e conforme as deliciosas gotas de água quente caiam sobre seu corpo, ela suspirava e pensava em David. Porque ela se sentia assim na presença ele? Será que estava realmente gostando daquele garoto skatista, que não tinha estudos? Ela nunca gostara de alguém antes, nunca amara e por essa razão, ela não sabia o por que de as pernas tremerem ao ver David. Talvez ela estivesse mesmo apaixonada, mas era muito cedo para ter certeza.
Alice sorriu e mordeu o labio inferior ao pensar nisso. Mas ela se sentia triste também. Ela sabia que nunca, em hipótese alguma, sua mãe iria aceitá-lo. Alice suspirou de tristeza. Vinha percebendo que a mãe estava ficando cada vez mais cansada, mais magra. Isso a deixava preocupada e com um peso na consciência. Alice se perguntou se algum dia na vida, encontraria a verdadeira felicidade.
E agora, aquelas deliciosas gotas quentes, caíam dolorosamente por suas feridas. Alice saiu do banho, preparou novos curativos e se trocou. Deitou-se em sua cama, olhou o relógio que marcava 15h57min, e assim ela adormeceu. Acordou com as batidas insistentes na porta de seu quarto.
- Alice! Você vai se atrasar! O que está fazendo? Ande logo! Abra essa porta. Vamos!
Alice levantou em um pulo, lavou o rosto rapidamente, pegou suas coisas e correu. Eram 17h45min e Alice saiu de casa tão apressada que acabou se esquecendo de se despedir de sua mãe.
Ao chegar à praça, eram exatamente 18h e ali estava David sentado no banco. Alice se aproximou dele correndo e falou ofegante.
- David, David! Me desculpe! Eu acabei dormindo e perdi a hora! Eu...
Alice estava muito ofegante e hiperativa. David segurou a menina pelos ombros, rindo da situação.
- Hei, se acalme Alice. Respira, senta aqui. - Ele a conduziu ao banco. - Pronto se acalme. Que horas você entra no curso?
Alice, agora sentada, soltou um suspiro audível e tentou relaxar os pensamentos. O que não era uma tarefa muito dificil com David de seu lado. Ele a relaxava facilmente, a deixava nas nuvens.
- Minhas aulas começam as 18h.
David olhou para o relógio da praça junto com Alice.
- São 18h05min. Vá logo, você vai se atrasar. Que horas você sai?
- Ás oito.
- Ok vou andar um pouco na rampa e logo mais eu volto para te buscar, pode ser?
Alice sorriu, agora mais calma.
- Ok David, obrigada! Tchau.
Alice correu e entrou em uma casa em frente á rampa, onde era seu curso. Ela se esforçou na aula daquele dia como prometido á Dona Carmen, que pegou um pouco pesado com a menina, mandado-a fazer os exercicios ritmicos para toda a classe.
Ao sair, David á esperava na porta, mais precisamente, no banco em frente ao curso. Alice cumprimentou David exatamente quando Isabela e Mariana saíram.
- Olha lá Mari, a Alice esquisita está namorando um vagabundo.
- Não fale assim dele Isa, ele até que é bonitinho. Mas tenho pena dele...
- Por que Mari?
- Ah amiga, na sociedade em que vivemos, não deve ser muito fácil ser cego.
Ambas riram e foram embora. Alice, suspirou de raiva.
- Odeio essas mimadas com toda a minha alma!
Alice falou apertando os punhos.
David soltou uma gargalhada gostosa de ouvir.
- Relaxa Alice, É tudo inveja de você. Sabe de uma coisa? Elas podem ter tudo que quiserem, mas o mais importante elas não têm. E sabem que você tem, por isso ficam com inveja.
Alice, ainda consumida pela pequena raiva, não percebeu o brilho nos olhos de David. E quase não prestou atenção no que ele falou.
- O que é?
David colocou uma mexa de cabelo de Alice atrás da orelha e acariciou seu rosto. Desta vez, Alice viu o brilho nos olhos do garoto e estremeceu não só com o toque, mas com sua voz doce.
- Beleza... Simpatia...
Alice ficou vermelha e não soube o que dizer, pega desprevinida, a menina recuou dos afagos de David.Percebendo o embaraço, o garoto mudou o assunto.
- Bom, que horas você sai da escola amanhã?
- 12h35min. – Disse Alice com as bochechas queimando.
- Posso te buscar?
- Claro! E ai continuaremos nossa aula de skate ok? – Alice disse, tentando amenizar a situação.
Percebendo que a menina nao se sentia confortável, David levantou e com ar de que nada tivesse acontecido, numa tentaiva frustrada de tentar acalmá-la.
- Ok Alice! Agora venha, vamos embora.

Fim do capítulo 6

Capítulo 5

Capítulo 5




         O relógio da praça marcava 12h43min e Alice e David estavam famintos.
- Já chega por hoje antes que você quebre algum osso. Amanhã nós continuaremos. E nem adianta uqerer fugir.
Alice consentiu, rindo.
- Vamos almoçar!
Alice estava ofegante e respondeu acenando com a cabeça.
David fez Alice subir no skate e, segurando por seu braço, foi conduzindo a garota sobre rodas até a lanchonete. Cada um comeu um pão de batata.
Alice adorava o jeito simples de David. Adorava seu jeito de falar. Ela adorava ele inteirinho. David se tornara, depois de anos naquele lugar, seu primeiro e único melhor amigo. 
Depois de comer, David pagou os lanches e ambos foram para um banco da praça, sentar e ficaram conversando até as 15h.

- David... Eu me diverti de verdade! Vou indo tomar um banho e passar alguma coisa nesses machucados para depois vir pro curso.
- Sim. Quer que eu te acompanhe?
- Não precisa.
- Vamos fazer assim... Eu espero você voltar para o curso, bem aqui.
Alice sorriu, bem mais a vontade perto dele.
- Ok, me encontre aqui ás 17h30min, pode ser?
- Claro! Nos vemos Alice. Tchau, se cuida.
Alice acenou e sorriu para David, que sorriu em resposta.
Alice andava rumo á sua casa. Seu coração batia rapidamente.


Fim do capítulo 5

Capítulo 4

Capítulo 4

             Alice entrou em casa, bebeu um copo de água gelado e viu que no relógio marcava 21h05min. Muito tarde! Alice se dirigiu á sala e sua mãe estava sentada no sofá com os braços cruzados e assistindo á TV.
Alice pigarreou para chamar a atenção da mãe. Seu corpo tremia, não de frio mas de medo, vergonha e excitação pelo que acontecera a pouco.
- Cheguei mãe.
Dona Angela, ao ouvir a voz da filha, levantou. Suas olheiras denunciavam que ela passara a tarde toda fazendo trufas e espetinhos de chocolate. Mas, apesar da aparência cansada, sua voz era firme.
- Onde que estava Alice?
Dona Ângela mostrava uma expressão furiosa e preocupada.
Alice ainda estava tão entorpecida pelos fatos do dia, por David, que nem notara a fúria na voz de sua mãe.
- Me desculpa mãe. Eu estava com um amigo conversando e nem vi as horas passarem.
Angela não tinha certeza se ouvira direito.
- Um amigo? no masculino? Então.. você estava até essa hora da noite... com um garoto?
Alice ia responder, mas foi cortada por Angela.
- E eu aqui, preocupada. Esperando você pra me ajudar a fazer as trufas. E você se divertindo com um garoto? Um garoto o qual você nunca me falou antes.
- Eu conheci ele hoje mãe...
- Ah, então a senhorita estava na rua com um qualquer até essa hora da noite e nem me avisou?
Alice começou a se irritar com os termos que a mãe usara.
- Ele não é um qualquer!
- Pra ser daqui ou é um qualquer, um vagabundo ou não existe.
Alice começava a ficar vermelha.
- Sabe de uma coisa mãe? A senhora devia estar contente de sua filha ter algum amigo. Alguém da idade dela pra conversar. E fique sabendo também, que ele não é um qualquer. Ele salvou minha vida hoje. Mas você é tão ignorante que nem ao menos pergunta sobre ele, já vai julgando. E outra, se ninguém tem jeito nessa cidade, porque viemos morar aqui? 
- Alice não fale assim comigo! Viemos pra cá porque depois do falecimento do seu pai, não tínhamos condições pra continuar na cidade. Você não vê o esforço que eu faço pra ganhar e guardar dinheiro pra quando você terminar os estudos ir para fora estudar? Você não percebe o que eu faço por você Alice? E e esse desgosto que você me da? Ficando na rua com um moleque que você não deve nem saber da onde vem. O seu pai ficaria muito triste com tudo isso , muito triste.
Ela tinha acertado o ponto fraco de Alice: O pai.
Os olhos da menina se encheram de lágrimas. A voz de Alice ficou mais calma, pega pela emoção.
- Olha mãe. Eu tenho certeza absoluta que o papai estaria feliz por me ver com algum amigo. Não trancada dentro de casa sem tem com quem e nem pra onde sair. Eu amo você mãe, eu estou aqui para te ajudar no que for preciso. Mas vamos deixar uma coisa bem claro: não vamos usar o papai pra resolver nossos problemas. Está me ouvindo mãe? Não quero que você diga o nome do papai pra me atingir outra vez. Me ouviu?
Angela ficou sem saber o que dizer, paralisada, vendo a filha ir para o quarto.
Alice se trancou e, em pranto, se jogou na cama. Debaixo de seu travesseiro a menina pegou uma foto dela e de seu pai em um dia de passeio ao parque. E ali, em sua cama e abraçada a foto, a menina dormiu.


                 O barulho do despertador era ensurdecedor. Era reunião de professores em seu colégio e Alice não teve aula. Ela bateu no objeto barulhento que a acordara poucos segundos atrás e cobriu a cabeça com o edredom. Suspirou fundo e levantou da cama.
Olhou no relógio e eram 6h30min da manhã. Ângela já havia saído de casa e, aproveitando a liberdade, Alice se arrumou e saiu para andar na praça e relembrar de quando saia para andar no parque de onde morava com seu querido pai.
Alice colocou a foto dentro da sua bolsa de mão.
- Vamos passear papai.
E com um sorriso saiu de casa.


- Alice!
Ela se assustou e olhou para os lados procurando de onde vinha a voz masculina que a chamara.
- Ah, oi David.
Seu coração acelerou. Era estranho, ela deveria estar mais calma ao saber que era apenas David e nenhum maníaco do parque. Mas ela não conseguia entender o porquê sempre que via David seu coração batia daquele jeito. Talvez ela até soubesse, mais era muito cedo para ter certeza de algo. Eles só se viram duas vezes. Eles não se conheciam. Como ela podia ter certeza de algo?
- Está tudo bem Alice?
Alice notou que estava encarando David enquanto mantinha sua tagarelice mental e seu rosto esquentou.
- Oh, sim... Eu estou ótima. E você?
- Muito ótimo.
Alice se pegou encarando-o novamente. E então ele deu aquele sorriso novamente. Aquele sorriso Seguido de um leve tapinha na testa.
- Tem alguém ai dentro? Hei..
Ele falava como se já a conhecesse a tempos. E era isso que o deixava encantador. Esse negócio de não ter timidez.
- É... Eu acho que não acordei direito ainda.
Alice riu nervosamente, olhando para baixo.
- Entendi... - Disse David olhando no relógio - Não foi para a escola hoje?
- Não, tem reunião de professores e nem tive aula.
- Ah sim. Tenho saudades da minha época de escola.
- Você já terminou os estudos?
- Não... É que eu cansei mesmo. Fiz o segundo ano e parei, mas às vezes eu tenho saudade do colégio.
Alice acenou com a cabeça. Imagine se minha mãe descobre que meu único amigo largou os estudos pra ficar a toa na rua?
- Entendi...
Alice falou, desviando o olhar. David percebeu o embaraço.
- É... Mas eu toco guitarra! Estou pensando em fazer uma faculdade de música, montar uma banda. Quem sabe?
- Ah, legal. Eu gosto de música.
David sorriu.
- falando em música. Acho que estou te devendo um Ipod.
Alice sorriu, um sorriso encantador.
- Ah, que isso. Fica tranquilo.
Houve um silencio de alguns segundos. Até David o quebrar com uma voz entusiasmada.
- Anda de skate?
- Eu? Não... Nunca encostei em um.
- Só no dia em que eu te atropelei certo?
- Ah sim... Só naquele dia.
Ambos riram.
- Quer ter aulas?
- Aulas de que?
- De skate oras! Vem aqui.
David pegou na mão de Alice e a estava puxando para a rampa, quando a menina hesitou.
- Não. Não tenho tempo. Tenho que vender trufas e... Ainda tenho aulas de balé hoje.
David não aceitou as desculpas. E continuou a puxá-la.
- Venha comigo garota bailarina, hoje começa sua primeira aula de skate!
- Alice, por favor.
- Não gosta de “garota bailarina”?
- Odeio balé.
- E faz o curso?
- É mais pela minha mãe. Por que se fosse por mim mesmo... Nem faria.
- Entendo.
David sorriu.
- Agora chega de conversas e se concentre na aula, Alice.
Ela ia protestar. Não tinha coordenação para isso, era desastrada! Mas ao simples toque da mão de David na sua, fez com que Alice ficasse totalmente sem palavras e acabasse cedendo.
           David e Alice ficaram o dia inteiro andando, ou tentando andar, de skate. Ela até que estava sendo uma boa aluna, mas era só se distrair um pouquinho que Alice se espatifava no chão, cortando o joelho aqui, ralando o cotovelo ali... E lá se foi uma caixa inteirinha de bandaid junto com as horas, outra vez.

 Fim do capítulo 4

Capítulo 3

Capítulo 3


- Ah que beleza! Como pode uma princesa tão... gatinha como você andar sozinha a essa hora da noite?
E aquele homem, com idade para ser seu avô, tocou em seus cabelos.
Alice estava petrificada em choque e não conseguiu mover um músculo.
Ela desviava o olhar do homem, respiroando com muita dificuldade.
Sentiu seus olhos encherem de lágrimas, Alice olhou ao redor em busca de uma ajuda silenciosa. Mas parece que o homem percebeu, pois o tom na sua voz ficou mais frio. Não tendo escolha, ela lutava em tentar disfarçar o nervosismo. Quanto mais nervosa parecer, pior vai ser Alice. Fica calma, respire fundo. Isso.. Ah droga, você vai ser sequestrada Alice! Nunca mais verá sua mãe. Ela não terá dinheiro para pagar o resgate. - Alice pensava. As palavras vinham desesperadamente em sua cabeça. Cabeça. O homem alisava seu cabelo. Que nojo! Nojo. Nojo Nooooojo! A voz dele quebrou o silencio;
- Está perdida gracinha? Pode deixar que eu te levo para a casa docinho.
Ele deu uma risada fria e assasina. Alice limpou uma lagrima que teimou em cair e se atreveu a tentar fugir do homem. Nem conseguiu um passo, o homem a agarrou pelo braço e a jogou no pequeno muro que cercava a rampa de skate.
- Aonde pensa que vai lorinha? Você vem comigo.E, escuta aqui, espero que você seja uma boa garota. Tá me ouvindo princesa?
Alice arfou e não conseguia mexer um só músculo. Lágrimas desciam pelo seu rosto incontrolavelmente. A dificultando ver o rosto do infeliz.
E foi então que Alice viu um vulto por trás do homem e ouviu um barulho oco. De repente, o grande e assustador homem caiu como uma menininha no chão. Alice ergueu os olhos e vira o garoto skatista, com seu skate nas mãos em posição de ataque. Porem ela não conseguiu assimilar os pensamentos. Estava em estado de choque.

- Você está bem? Ele te machucou? Tocou em você?
Alice estava respirando com dificuldade. Por ter quase sido sequestrada. Por estar na frente do garoto skatista naquele estado. Ela soltou um suspiro trêmulo e fechou os olhos o mais apertado que pôde. Não via a hora de acordar na sua cama quentinha e se dar conta que era só um pesadelo.
Ela abriu os olhos.
Nada mudou.
- Se acalma, você está bem. Venha, vamos até aquele barzinho pra você se acalmar um pouco. O homem pode acordar a qualquer momento.
Alice consentiu somente com a cabeça e foi com o garoto skatista para o barzinho não muito longe dali. O homem do balcão percebeu o nervosismo de Alice e lhe ofereceu uma água.
Alice bebia a água, tremendo, mas estava mais calma.
O barzinho estava vazio, só seu ouvia o som da tv e as goladas de Alice descendo por sua garganta. O garoto quebrou o silêncio pouco antes de Alice beber o último gole.
- Bom, vamos de novo. Você está bem? Aquele homem te machucou?
Alice olhou para os olhos do garoto. Lembrou-se do terrível "primeiro encontro" e suas bochechas começaram a esquentar. Ela suspirou fundo. Precisava muito ir para casa.
- Não, eu estou bem. Obrigada.
Alice agradeceu a água ao moço do balcão e saiu apressada. Ao chegar na porta do bar, ela hesitou um pouco em enfrentar a noite sozinha novamente, mas a vergonha e o cansaço falaram mais alto. Ela apressou o passo ao ouvir a voz do garoto.
- Hey garota. Espera ai! Aonde você vai?
Alice andava com passos ligeiros, mas mesmo assim o garoto skatista a alcançou.
Alice tentou correr, mas ele parou em sua frente.
- Por que você sempre foge?
- Eu... E-Estou atrasada!
- Você vive atrasada? Caramba, sempre que a gente se esbarra você corre.
Quem ele pensa que é pra falar assim comigo? - Alice pensou, começando a se irritar.
- Eu tenho meus deveres. Tenho coisas pra fazer. E outra. .. Só nos esbarramos uma vez! E não vai acontecer de novo.
Ela estava surpreendida pela coragem de conseguir falar aquilo para o garoto. Ela.. Tão tímida. Mas estava se irritando com o garoto que não a deixava ir embora.
- Sim, uma vez. E já foi o bastante pra você escorregar como um quiabo.
Ah, isso foi o cúmulo. Alice parou de tentar escapar, olhou para o garoto com uma expressão frustrada.
- Escuta aqui garoto, quem você pensa que é pra falar assim comigo?
- Assim como? Eu só estou tentando me desculpar pelo acidente.
Alice bufou de raiva.
- Já está desculpado. Aff, era só o que me faltava. Um garoto que eu nem ao menos sei o nome, que QUEBROU meu Ipod caríssimo e ainda vem falar comigo como se fosse meu irmão mais velho! Ah da licença. Agora tchau, tenho que ir.
Depois de ter dito aquilo, houve um silêncio momentâneo. Um pouco desconfortável.
- Ok... Desculpe, você que manda!
Alice se sentiu uma idiota, novamente pra variar, de ter falado aquilo naquele tom. Decidiu que sair dali o mais depressa seria o melhor. Aumentou o ritmo dos passos e viu que o garoto continuava atrás dela, no mesmo ritmo. Ela bufou irritada e parou com tudo fazendo o garoto esbarrar nela.
- O que você quer?
- Nos esbarramos duas vezes agora. E ai, vai correr como antes?
Alice estava vermelha. De vergonha, de medo. De raiva!
- Porque você fala assim comigo?
- Porque você fala assim comigo? - O garoto perguntou, dando ênfase no "você".
Porque você é um estranho me seguindo logo depois de eu quase ser sequestrada? Tudo bem que me slavou, mas continua me seguindo - Era isso que ela queria falar. Alice suspirou fundo e tentou de outro jeito, com mais calma.
- Porque está me seguindo... garoto?
- Não estou te seguindo...garota.
Ela estava prestes a perder a paciência de novo.
- Porque está andando atrás de mim então?
Ela falou, novamente frustrada. Será que ele tem algum problema?- Alice estava perplexa.
- Me perdoe.
O garoto apressou o passo e parou a andar em frente á Alice.
- Pronto! Não precisa mais se preocupar, não estou mais atrás de você.
Alice agora estava vermelha. Visivelmente irritada.
- Muito engraçado.. garoto skatista. Você devia ser stand-up¹.
Ela fechou a cara e voltou a andar.
O garoto segurou o braço de Alice a tempo, mas não tão forte.
- Eu só quero saber o porquê você sempre foge. O que tem de errado?
Alice estava a um passo de dar um soco no estômago daquela criatura terrivelmente irritante... E linda.
- Eu já disse! Estou atrasada. Quer que eu repita quantas vezes?
O garoto, levado pelo tom alto da voz de Alice, aumentou o tom da voz também.
- Você acaba de ser salva de um suposto seqüestro e ainda pisa em cima de mim. Queria o que? Queria estar com aquele cara agora? Queria estar sabe-se lá aonde, sendo estrupada e desaparecida pra sempre? É isso que você quer?
Alice sentiu seu rosto ficar vermelho e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sentiu uma onda de vergonha e culpa atingi-la como um balde de agua fria. O garoto percebeu e abaixou o tom da voz.
- Desculpa. Eu só queria me desculpar de verdade. Estou preocupado com o que possa te acontecer por ai. Sabe, eu... Me desculpe.
Alice olhos para o rosto do garoto. Ela se sentia ridícula. Tinha a sensação de estar nua em uma praça movimentada. Ela estava transbordando vergonha. O máximo que ela conseguiu dizer foi um, quase inaudível:
- O-Obrigada.
Alice abaixou a cabeça e uma lágrima teimosa desceu pelo seu rosto. O garoto segurou as mãos de Alice. Foi um gesto que a fez esquecer da lágrima, esquecer de absolutamente tudo. Até mesmo da hora.
O garoto viu o rosto frágil da menina. Sentiu um calor no peito, uma cois estranha e gostosa que ele nunca sentira antes. Apertou um pouco as mãos dela, para confortá-la.
- Hey.. Tudo bem, relaxa.
Da boca do garoto, nasceu um sorriso doce e meigo. Aquele de derreter corações. O rosto de Alice ficou vermelho como um tomate ao perceber suas mãos juntas ás do garoto. Mais ainda quando ele levantou uma das mãos para limpar a lágrima que estava em seu rosto. Isso foi como um convite para um mar de lágrimas. Ela suspirou e falou baixinho:
- Mu-muito obrigada... Eu... Eu preciso... Eu tenho que ir, tchau.
Alice soltou das mãos dele e se virou para continuar seu trajeto.
- Não quer que eu te acompanhe?
- Não obrigada, eu moro logo ali.
Alice estava tensa, seu rosto molhado de lágrimas. Agradeceu aos céus mentalmente por estar escuro o suficiente para ele não ter notado.
Ele apenas sorriu, acenou e disse em um sussurro que Alice conseguiu ouvir.
- Se cuide.
Alice sorriu em resposta. Um sorriso que só realçou seu rosto vermelho. O garoto pegou seu skate e o pôs no chão, quando falou:
- A propósito, me chamo David.
Alice acenou com a cabeça.
- Alice
Mas ela não tem muita certeza se ele a ouvira.
Ambos sorriram e foram rumo a suas casas.


Fim do capítulo 3

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¹ - Stand Up, pra quem não sabe, é como um show de comediantes. Onde os mesmo vão lá pra contar piadas e divertir a galera. Como um "palhaço pra gente grande", mais ou menos. n_n

Capítulo 2

Capítulo 2

        Alice não conseguia se concentrar direito na aula e Dona Carmen, sua professora de balé, chamara a atenção dela várias vezes.
Dona Carmen e Alice não se davam muito bem. Na verdade, a questão é que dona Carmen não se dava bem com ninguém. Nem mesmo com Bartô, seu gato de estimação que só voltava para casa para comer, mesmo.
Alice estava com a mente em outro lugar. Que nem ao menos ouvira a professora chamar seu nome
.
- ALICE! ficou surda agora é? Alice, estou falando com você!
- Perdão Dona Carmen, eu....
Dona Carmem, já sem paciência, cruza os braços e fecha a cara. As suas companheiras do curso, a olhavam com cara de desdém e irritação. Patricinhas mimadas pensava Alice a respeito delas. Alice suspirou e relaxou os ombros. Revirou os olhos.
-Você está com a mente no espaço desde o momento que entrou aqui. O que está acontecendo?
Alice precisava sair dali. Estava exausta. Tinha que pensar em alguma desculpa. E precisava ser rápida.

- Desculpe professora. É que.... eu.. Eu não estou me sentindo muito bem.
Alice dera essa desculpa para se livrar o quanto antes daquela aula monótona. Dona Carmem olhou no relógio e se virou para Alice.
- 
Bom falta meia hora para acabar a aula e como a senhorita já atrapalhou o bastante por hoje, com sua cabeça vazia, está dispensada da aula. Vá direto para casa e amanhã terá que se esforçar o dobro!
Alice fizera que sim com a cabeça. Agradecera pelo "milagre" mentalmente e com um sorriso de dor encenado, saiu.

Suas aulas de balé começavam 18h e terminavam ás 20h. Era 19h30min quando Alice, finalmente, saiu. A garota saiu apressada do curso e se sentou no banco da praça. Estava muito escuro e frio. Ela abriu a bolsa e colocou um agasalho, olhando ao redor. Não avia ninguém. O lugar parecia de filme de terror. Alice sentiu um calafrio percorrer o corpo. Levantou do banco e começou a andar calmamente, pensando naquele garoto. O garoto skatista que ela esbarrar alguns minutos atrás. Alice olhou para a rampa de skate, porém esta estava vazia. Ela se sentou, em um banco em frente a seu curso e sorriu com a lembrança de como aqueles olhos negros combinavam com seus cabelos.
Alice se pegou com a mente no espaço novamente e só saiu do transe quando quando suas duas colegas de curso, Isabela e Mariana interromperam seu discurso mental.
- Olha Isa, a garota esquisita está brisando de novo. Acho que ele carrega um quilo de pó ai dentro da mochila.
Mariana era um pouco maior que Alice e seus cabelo eram de um tom castanho avermelhado, caindo em leves ondas em seus ombros. Ela tinha uma cara de superioridade e sempre se vestia com roupas chique. Chique na medida do possível naquele lugar horrendo.
- Pois é Mari, ela deve estar tentando chamar atenção dos vagabundos drogados que andam nessa rampa. Mas acho que ela não percebeu que não tem ninguém ai.
Isabela era um pouco menor que Alice. Era como um "servo" para Mariana. Tinha cabelos loiros e escorridos e falava com um voz aguda que dava agonia de ouvir.
- Ninguém a quer e por isso ela tem que tentar com os trastes. Os mendigos dessa praça. A coitadinha mal sabe que vai morrer solteira.
- Pois é, tenho pena dela.
Ambas riram e saíram rumo a suas casas. Alice fingiu não ouvir aquelas patricinhas mimadas, metidas e invejosas. Esperou as duas figuras sumirem de vista. Alice suspirou fundo, se levantou e começou a andar de vagar. Olhou para o céu, a noite estava escura. As nuvens levavam um tom grafite que cobriam a lua, deixando se iluminar o ambiente somente pelas fracas luzes das estrelas. Talvez elas tenham razão em parte. Talvez eu não vou encontrar meu príncipe encantado. Mas sabe? Pouco me importa. Eu estou nessa vida pra ajudar a minha mãe. Só. Não me importo com amor. Alice pensava. Mas, cá entre nós, sabemos que isso é a maior mentira. Alice sabia disso também, apesar de não admitir.


Alice passou pela rampa de skate, parou e ficou ali alguns segundos lembrando do garoto. Ela não podia vê-lo novamente. Que cara ela ia ter? Depois de ter fugido daquele jeito. Alice suspirou fundo e voltou a andar.
Ela morria de medo de andar sozinha a noite e então quis apressar o passo para chegar perto da fraca iluminação de um poste, na frente de um barzinho aparentemente vazio. A cidade dorme muito, muito cedo por aqui. Pensou a menina voltando a andar.

Mal deu dois passos e um homem gordo, fedido e velho a abordou na escuridão.


Fim do capítulo 2

Capítulo 1

Capítulo 1  
  Em uma pequena cidadezinha se encontra uma doce e encantadora menina.
Seu nome é Alice e seu sonho é ter uma enorme família, pois ama muito crianças.
Alice tem 17 anos, mas com seus lindos cabelos loiros, lisos caindo sobre seu rosto, branco como a neve, a faz parecer ter menos idade que isso.

Alice frequentava uma escola pública. Desde a morte de seu pai, ela e sua mãe se mudaram para uma humilde casa nesta cidade minúscula.
A pequena Alice detestava aquele lugar. Por não ter pra onde sair e com quem conversar. Na escola ela não conversava com ninguém. Todos eram maloqueiros, metidos ou nerds demais.
Mas apesar de Alice não ter nenhum amigo, é uma garota sonhadora, delicada e meiga. Seus olhos azuis realçam a ternura e a inocência em seu rosto. Ela mora com a mãe. Perdera o pai quando tinha cinco anos de idade e isso fez com que Alice procurasse ajudar a mãe nas horas de necessidade e conforto e vice-versa.
Angela, mãe de Alice, sonha que a menina seja uma grande e famosa bailarina. Porém a menina odeia balé, mas o faz para alegrar sua mãe, a quem tanto ama.
A garota era extremamente chegada ao pai. Não que a mãe fosse uma desnaturada, que não dava atenção, nada disso. Era algo do interior. Algo em Jeff que fazia ele ser o "preferido" de Alice. Claro, a menina amava a mãe, muito. E passou a entendê-la depois do falecimento de seu querido pai. As duas ficaram cada dia mais próximas, buscando sempre ajudar uma a outra. Apesar de que Angela tinha um gênio um pouco forte. Um pouco, protetora demais, se é que você me entende.
               Alice não tinha namorado. Não amava ninguém. Aprendera a amar a si mesma e assim pretendia ficar. E outra, aquele não era o melhor lugar do mundo para se encontrar um príncipe encantado. Não mesmo. E também não tinha o mínimo de vergonha de ser virgem e nunca ter beijado ninguém aos 17 anos. Para ela, o amor viria com o tempo.E ela não ficava todos os dias roendo as unhas debaixo das cobertas pensando se no dia seguinte se esbarraria com o amor de sua vida. Mas ela esperava por esse dia. Intima e secretamente. Esperava.

         Em mais um dia rotineiro, Alice chega do colégio onde cursa o terceiro ano do ensino médio. O dia como sempre fora um tédio total. Aulas quase sem conteúdo, professores cansados e inúteis, e as outras pessoas que conversavam de mais. Alice anotou o que conseguiu entender, o que não era muita coisa. Ao bater o sinal anunciando o fim da tortura, a garota se levantou rapidamente e com um suspiro saiu da escola. Como sempre, Alice ia andando para casa. Sua escola ficava em frente a uma praça. Todos os dias, o mesmo cenário: Uma praça com poucas arvores e nao mais que dois bancos, um pipoqueiro, uma rampa de skate com alguns garotos, um antigo e deteriorado playground onde várias crianças brincavam. Passou em frente á seu curso de balé. Estava fechado, como de costume. Alice acelerou o passo. Não via a hora de chegar em casa, tomar um banho relaxante e descansar um pouco. Até as 18h que era quando começava suas aulas de balé.
Depois de realizar seu pequeno desejo, Alice se arruma para o curso. Prende seus cabelos loiros em um coque. Coloca as sapatilhas na bolsa, pede a benção de Dona Angela que, como sempre, dá seus avisos para ter cuidado com tudo ao seu redor e então se vai.
Alice andava tranquilamente, estava quase chegando na praça, ouvindo sua musica preferida, Avril Lavigne – Alice, no último volume em seu inseparável Ipod. Ela amava música, isso era um fato. Cada acorde, cada batida entrava por seus ouvidos lhe causando um leve tremor. Ela adorava aquilo. Alice atravessou a rua, mechendo os lábios juntos com a música. Era uma forma de tentar aliviar a torturante idéia que poucos minutos depois, ela estaria ao som monótono e arcaico de seu curso. Alice analisou os próximos dez metros de chão, procurando alguma falha, e então fechou os olhos, absorvendo ainda mais a música. Ela estava a poucos metros de seu destino, quando tudo acontece muito rápido. Ela ouve um barulho de rodas percorrendo o chão. E estava muito, muito próximo. Ela abre os olhos e em uma fração de segundos, sem nem mesmo conseguir gritar ou respirar, Alice é jogada ao chão com violencia. Como eu disse, tudo acontecera muito rápido e a garota só teve tempo de reconhecer três coisas: um skate, um garoto no chão ao lado dela e seu querido Ipod totalmente destruído no chão.

- Porra mano, olha por on... - Ele então percebe a delicada garota de olhos azuis penetrantes ao seu lado - Oh... Me desculpe! Me desculpe, me desculpe!

O garoto levantou depressa, ignorando os machucados que ardiam em seu joelho. Estendeu a mão para ajudar a garota a levantar. Seus olhos estavam brilhando. Ele estava... deslumbrado.
Alice não percebeu a mão do garoto, nem ao menos olhou seu rosto. Ela estava consumida pelo ódio de ver seu, caro Ipod no chão, despedaçado. O ipod que ela tanto lutara para comprar, vendendo de porta em porta os deliciosos doces que sua mãe fazia. Pegou o que restou dele e encheu seus pulmões para chingar o infeliz que fez isto. Mas... ao bater seus olhos no rosto do garoto em sua frente, com olhos preocupados e um brilho esquisito, lhe estendendo a mão. As palavras simplesmente não vieram, deixando-a sem ar.


- Me desculpe! Você está bem? Me desculpa mesmo. Eu tava andando de skate ae com a cabeça em outro mundo sabe? E nem vi você. Me desculpa. Vou comprar outro desse pra você ok?

O garoto de olhos pretos, pele branca e cabelos negros como a noite bagunçados caindo sobre seu rosto, estava ali, na sua frente. Estendo a mão. E o que Alice fez? Ficou paralisada, olhando para o garoto com cara de idiota. Ao pensar nisso, Alice sentiu vergonha de si mesma e se repreendeu por tal ato. Ela estava embaraçada. Não sabia o que fazer ou dizer. Precisar pensar em alguma coisa. E então, o relógio da praça iluminou seu caminho. Alice levantou num pulo e falou gaguejando, sem olhar diretamente nos olhos do garoto.


-
Te-tenho que ir, estou atrasada. eu...

E então ela correu, deixando o garoto sem entender nada. Correu até seu curso. Estava vermelha de vergonha.
Suspirou aliviada ao chegar em seu destino. E então, depois de um segundo se sentiu a pessoa mais idiota do mundo. Que ridículo. Pra que isso Alice? Pra que fugir daquele jeito? Que cara você vai ter agora quando encontrar o garoto? nem se quer pediu desculpas.. nem falou seu nome! Que feio Alice, que feio! - Ela pensou.
Agora, mais do que nunca, ela nã queria vê-lo novamente. Não queria ter outra cena dessas novamente.

O garoto a seguiu com os olhos e a viu entrar em uma casa em frente á praça. Ficou um tempo ali, pensando. Achou engraçado o jeito da menina. Tímida, meiga. O garoto sorriu com o pensamento. Fez um nota mental de prestar mais atenção quando for andar de skate.
Aquela garota é tão linda! - Ele adotou esse pensamento desde o primeiro instante que a vira.
Ele precisava encontrá-la de novo. Precisama pedir desculpas. E mais do que nunca, lhe comprar um Ipod novo! Ele não fazia a menor idéia de como, mais era o mínimo que ele podia fazer. Decidiu então, sentar no banco da pracinha e esperar pela garota.Ele precisava saber seu nome. Precisava conhece-la melhor. E então, ele a esperou.


Fim do capítulo 1