terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Capítulo 41

Capítulo 41


        A semana passou rápida. Angela e Duda  já sabiam de tudo e estavam dando todo o apoio que Alice precisava naquele momento. Alice estava na república sentada em sua cama, tomando um chá de camomila delicioso que Angela preparara. Ela pensava em Henry e em todos os momentos juntos. E chorava. O celular de Alice tocou mas ela não se apressou em atender. Para ela nada mais importava naquele instante. Mas ela atendeu o celular mesmo assim.

- Oi. – ela disse desanimada.
- Bom dia, falo com Alice? – uma voz rouca masculina.
- Sim, quem gostaria?
-Olá aqui é do conselho tutelar. Queremos falar com você imediatamente. Podemos marcar uma reunião formal com o juiz?

Alice subitamente se levantou e pegou um pedaço de papel.

-Sim claro! Quando?
-Semana que vem... Na segunda feira.
-Com certeza, estarei lá. –Alice disse desligando o telefone.

Ela correu para a cozinha contar sobre isso para as meninas, que passaram todo o jantar tentando adivinhar sobre o que era.

- Alice, você não se esqueceu do show de amanhã, né? – disse Duda.
- Não, não me esqueci. – Alice deu um sorriso amarelo e voltou a comer seu jantar.
-Vai ser o máximo, como sempre! – disse Duda para si mesma.
- Vai ser legal Alice, você precisa se animar um pouco. – Angela falou com um olhar cheio de signficados.

Alice suspirou

-É, tudo bem. Que seja, nada mais importa. Bom boa noite meninas. – Ela falou colocando o prato na pia – deixe ai que amanha eu lavo.

E então foi para seu quarto dormir.

Ela perdera seu pai, sua mãe e seu amor verdadeiro, seus patrões e agora seu pequeno Henry!

O que a vida queria dela afinal? Por que tudo aquilo acontecia com ela?

E com esses pensamentos, dormiu.

***

                E lá estava ela novamente. Em frente ao mesmo palco, no mesmo lugar e como da outra vez, ela evitava os olhares de David. Seu coração (ou o que restou dele) batia forte. Pelo menos alguma coisa boa teria que acontecer.
                O show se acabou e com uma sensação de Dejavú Duda a puxou para a fila VIP. Dessa vez elas estavam no primeiro grupo a entrar, nessa ordem: Duda em terceiro lugar atrás de duas garotas morenas, Alice em quarto e Angela em quinto lugar, segurando Alice pelo braço só por precaução. O segurança chegou e repetiu aquelas mesmas palavras da outra vez. Após cico minutos de discurso e avisos, ele abriu a porta do camarim.
Alice apertou a mão de Angela. Ela suava frio mas, mesmo contra seus instintos, entrou na sala.
                Tudo aconteceu em câmera lenta: Ela entrou na sala instintivamente procurando David com os olhos. Angela a segurou até que o segurança fechou a porta, também o procurando. Duda já estava abraçada com Will, o ruivo, e foi então que o olhar de David encontrou o de Alice. Ela arfou e ele não teve duvidas de que era ela.
Naquele momento paralisado todos os problemas dela (e os dele) sumiram como fumaça.
Ali, naquela sala, eram apenas Alice e David.

Fim do capítulo 41

Capítulo 40

Capítulo 40

Ás 10h da manhã do dia seguinte o despertador de Kelly e Orlando tocou no andar de cima. Alice acordou e estava no sofá, se espreguiçou por alguns segundos e esfregou os olhos. Pensou ter ouvido algo do andar de cima e se concentrando para distinguir o som, desligando a TV, ela se deu conta que era o despertador de Kelly e Orlando. Apressadamente, Alice levantou e correu para o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Estava com a mesma roupa do dia anterior, já que adormecera no sofá e não a tirou. Correu para a sala, esperar Kelly e Orlando, mas ninguém desceu as escadas e o despertador ainda tocava frenéticamente no andar de cima. Alice suspirou e lembrou-se que eles deviam ter chegado muito tarde ontem, depois da meia noite com certeza, quando ela já roncava no sofá. Que feio. Alice se repreendeu e subiu as escadas para acordar os patrões ela mesma, já que sabia que eles não admitiam atrasos.
Toc toc.
Ninguem atendeu as batidas de Alice e ela, então, ousou entrar no quarto.

-Dona Kelly? Senhor Orlando? – Ela dizia enquanto abria a porta em silêncio.

Mas não havia ninguém lá. A cama estava do mesmo jeito que ela mesma deijara no dia anterior quando seus patrões saíram. Ela entrou e desligou o despertador dando de ombros. Seus patrões eram esquisitos de qualquer forma, deviam ter dormido fora e esquecido de avisar.
Alice suspirou e foi ver Henry que dormia como um anjo. Ela debruçou no berço da criança e ficou olhando-o, sorrindo. Como ela o amava. Era como se fosse seu próprio filho. Após dar um beijinho na testa de Henry, Alice desceu para esquentar um pouco da janta de ontem, pois ela estava morrendo de fome. Mas, mal abriu a porta da geladeira a campainha tocou. Ela parou, procurando em sua mente se dona Kelly dissera algo de visitas na quarta de manhã, mas não conseguiu lembrar de ninguém. Por um segundo pensou ser Kelly e Orlando, mas... fora de cogitação. Eles tinham chaves e nunca tocaram a campainha antes, não fazia sentido. A menos que eles fossem assaltados e os bandidos tivessem levado até mesmo suas chaves. Alice correu para a porta, preocupada e nem ao menos olhou pelo olho mágico, já abrindo a porta.

Não era dona Kelly muito menos senhor Orlando. Era um homem velho, de terno e sapatos sociais, cabelos brancos e bigode por fazer. Antes mesmo que Alice pudesse perguntar quem era e o que queria, o homem (que estava em frente a outros dois homens de preto musculosos e gigantes – seguranças, só podia) estendeu o braço na cara de Alice, com expressão arrogante, apresentando uma carteira com o símbolo do governo.

-Bom dia senhorita. Sou do conselho tutelar e por lei a criança que aqui reside, atendente ao nome Henry ficará por custódia do governo americano até acharmos algum paretne vivo, caso contrário o mesmo irá para o orfanato do estado. – O homem falava aqulo como um robô. Arrogante, frio e sem expressões.

Alice sentiu enjôos e sua cabeça começou a girar. Ela estava tonta e não estava entendo nada.

- Do-doque estão falando? – sua voz saía trêmula – acho que se enganaram. Henry mora aqui sim, mas tem pai e mãe. E eu sou  a babá dele. – disse ela, recuperando um pouco as forças. Bem pouco.
-Bom senhorita.. – ele fez uma cara de interrogação.
-Alice.
-Bom senhorita Alice, sinto lhe informar que os pais de Henry atendentes de nomes Kelly e Orlando faleceram em um acidente de carro nessa madrugada. E como nos foi informado pelo departamento de policia que aqui residia uma criança de menor viemos buscá-la para ficar em nossos cuidados até achar um parente de sangue vivo.

Alice sentiu que ia vomitar. Respirou fundo. Levou sua mão á boca e uma tempestade de lágrimas saíram de seus olhos.

- Co-como? – ela mal conseguia falar.

O homem parado em frente a porta, a olhava como que esperando que ela fizesse alguma coisa.

- Você precisa sentar. E se nos der licença, temos que levar a criança nesse exato momento. Voce deve levar todos os pertcenes e roupas da criança amanhã para este endereço – Ele lhe entregou um cartão.

Alice o pegou, tremendo e sem ar.

- O que posso fazer.. para impedir que o levem? – Alice tremia, sua voz saia falhada, mas ela tentava ser forte.
- Sinto muito senhorita, mas são ordens do juiz. Até que se ache um testamento você deverá deixar a casa hoje mesmo. Qualquer citação em seu nome entraremos em contato com você. O que deve fazer, é simplesmente assinar esses papéis e nos dar seus dados de residência.

Alice pegou os papéis, tremendo. Ela os mandou entrar e assinou a todos os papéis que diziam que ela estava ciente que estavam levando a cirança atendente do nome Henry nessa quarta feira ás 11h15 da manhã. Ela tomou um copo de água com açúcar e voltou para sala onde os três homens a aguardava.

-Bom senhorita Alice, nosso tempo é curto e temos que ir imediatamente com a criança. Poderia buscá-la para nós?

Alice assentiu, andando lentamente, tremendo e sem saber o que fazer. Ela subiu as escadas e abriu a porta de Henry. Ao vê-lo ali dormindo, tão inocente, indefeso. Ela comçou a chorar ainda mais, soluçando, pegou a criança do colo e a embalou em um abraço que não queria que se desfizesse nunca. Ficou o máximo de tempo que pôde ali com ele, compartilhando seus últimos momentos naquela casa, com aquela criança que ela tanto amava.
Então finalmente, desceu os degraus indo para a sala onde os três homens a aguardava. O velho estava impaciente e logo ao vê-la entrar, se levantou.

-Bom, estamos indo. Qualquer coisa sabe onde me encontrar. Leve as roupas da criança amanha sem falta.

Alice só conseguia chorar, sem ar, e olhar para Henry que dormia em seus braços. Em sua outra mão, estava uma sacola com os pertecenes pessoais e higiênicos de Henry que ela entregou para um dos homens de preto. O outro homem de preto estava agora ao seu lado, fazendo menção em pegar Henry. Alice hesitou e abraçou a criança forte, mas nem tanto, apenas o suficiente para não acordar Henry e para lhe dizer o quanto ela o amava.
Alice olhou feio para o segurança, seu rosto inchado de chorar. Ela ainda soluçava quando levou as três figuras à porta e teve o momento mais difícil de sua vida desde que se mudara: entregar o pequeno Henry. Ela hesitou, o beijou e sussurrou no seu ouvido. Eu vou te buscar bebê, prometo. Eu te amo, muito. Sua voz morreu quando um dos homens de preto pegou a criança, que ainda dormia, de seus braços e entrou no carro preto com vidros filmados de modo que Alice não viu mais ninguém.
Ela entrou e subiu até o quarto de Henry e ali, sentada no chão a observar o quarto, ela ficou. Sozinha. Vazia. E em prantos.

Fim do capítulo 40

Capítulo 39

                 Capítulo 39




            Alice estava alimentando Henry. Era a hora do almoço e ela não estava com fome e não conseguia parar de pensar o que ela inventaria para o jantar.
Assim que Henry terminou de comer sua papinha melosa de cenoura e carne, Alice lavou tudo e colocou o bebê para brincar no tapetinho infantil na sala, onde estavam espalhados brinquedinhos barulhentos e mordedores coloridos. Alice brincava junto com ele quando se lembrou da vacina da criança. Pegou o telefone sem fio e dicou os números do médico de Henry que apareceria por lá daqui uma hora.
Ao desligar o telefone a imagem do bilhete escrito por David veio em sua mente. Ela subiu as escadas correndo e o pegou de dentro de seu guarda-roupa, colocando-o em seu bolso e descendo as escadas correndo para ficar perto de Henry.
Sentada junto com a criança, Alice lia o bilhete novamente e podia ouvir a voz de David pronunciando as palvras escritas. 
Ouvir a voz de David. 
Uma ponta de adrenalida nasceu no coração da garota e um pouco hesitante, Alice tornou a pegar o telefone e discar os números que David escrevera no bilhete.

-Alo?
-Da-david? – Alice falou em um sussurro.
-Quem está falando?

E então ela desligou. Sentiu seu corpo inteiro vibrar, a adrenalina corria em suas veias e então, tremendo, ligou para Angela.

-Alo? – Duda atendeu.
- Oi Duda, a Angel está?
-Ah, não. Ela acabou de sair. Liga no celular dela que você a encontra. Poxa fiquei sabendo que você não vai poder ir ao show.
-Ah, é verdade. Uma pena.
-É. Bem, se ele te mandar alguma carta eu vou ler antes, ok? Só por precaução – Disse Duda rindo.

Alice deu uma risada forçada.

-Obrigada Duda, beijo. – disse desligando o telefone.

Ela desligou e ligou para o celular de Angela.

-Alo? – Atendeu Angela. Barulho de carros no fundo.
-Angela, até que enfim te encontrei! Preciso te contar uma coisa.
-Como? Um minuto Alice, vou para um lugar menos barulhento.

Os ruídos foram diminuindo aos poucos.

-Pronto, entrei num banheiro de um bar aqui. Estou indo para a facul, o que quer falar comigo?
-Então Angel... Eu liguei.
-Hum?
- Eu liguei para o David. Eu liguei – sua voz saiu um pouco trêmula.

Um breve silêncio e então um quase grito.

-O QUE?
-Liguei para o David. – Alice mordeu o lábio inferior e fechou os olhos como uma expressão de dor.
-Não acredito Alice!!! Me conte TUDO!
-Não tem.. “tudo”.
-Como assim?

Alice suspirou.

-Eu desliguei... Na cara dele. – Alice apertou o punho, esperando a bronca.
- Eu não acredito Alice! Por que?

Alice teve que afastar um pouco o telefone do ouvido devido aos gritos de Angela.

-Desculpe Angel, mas sabe... Estou tão nervosa.

Um suspiro do outro lado da linha.

-Alice... Ligue para ele agora.
-Não posso. – Disse Alice, pensando em qual desculpa daria.
-Por que não pode?
- Porque... – E então Henry começou a chorar. – Porque tenho que cuidar de Henry!
-Alice, você não está fugindo outra vez, está?
-Beijos Angel.
-Alice, não se atreva a desligar! Alice!!!

Mas ela já tinha desligado e já estava subindo as escadas com Henry no colo para trocar sua fralda. Logo depois, ambos voltaram para a sala e continuaram brincando.

Alice ficou um segundo parada, olhando Henry e lembrando da doce voz de David. Levou seus dedos aos números do telefone. Ela tinha que ouvi-lo outra vez. Ela começara a discar os números escritos no papel, quando a campainha tocou, fazendo Alice levar um pequeno susto e Henry ficar com uma cara de interrogação maravilhosamente fofa, típica de bebê.

Alice suspirou e guardou o telefone na base, pegando Henry no colo e indo em direção a porta. Ao olhar no olho mágico, viu que era apenas Dr. Jhonny, o médico da família.

-Olá Alice. – Disse formalmente quando Alice abriu a porta. – Olá Henry. – Disse ao pequeno que estava concentrado em mastigar e babar seu mordedor azul.
-Olá Dr. Jhonny, entre por favor. – Alice abiu a porta, dando passagem para o médico.

Dr. Jhonny era um homem alto, seu nariz era reto como uma flecha e suas bochechas eram naturalmente rosadas do jeito que qualquer mulher mataria para ter. Tinha cabelos loiros curtos e olhos penetrantes cor de cinza-chuva. Era um homem sorridente que transmitia confiança até mesmo para um bebê de 10 meses.

Alice fechou a porta assim que Dr. Jhonny entrou.

-Bom, seu paciente está aqui. – Disse Alice sorrindo e tirando o mordedor de Henry que começou a reclamar.
-Certo – Disse Dr. Jhonny rindo das caretas de Henry que tentava pegar o mordedor da outra mão de Alice. – Coloque-o na cadeirinha que ele costuma comer. – Disse o Dr. com uma voz calma e profissional.

Alice assim o fez, enquanto o Dr. Jhonny pegava o termômetro e media a temperatura de Henry.

 - Está ótimo. Hora da vacina. – Dr. Jhonny dizia guardando o termômetro e pegando um pequenino frasco branco com um rótulo cheio de escritas. – Alice, segure a boca dele assim. – Ele mostrou para ela como fazia enquanto tirava a tampa do frasco.

Alice segurou a boca de Henry como o Dr. Jhonny pediu, apertando as bochechas para que o Dr pudesse pingar as gotinhas.
Alice assinou um papel e balançava Henry no colo, que reclamava do gosto ruim da vacina com um choroe então levou Dr. Jhonny até a porta.


                As horas se passaram e o relogico marcava 00h e nada de Kelly e Orlando chegar. Alice já havia feito um belíssimo e delicioso escondidinho de carne, arroz refinado e arroz de forno, alguns bifes com batatas fritas e um pouco de feijão com bastante caldo, do jeito que seus patrões gostavam. Mas com a demora deles, ela foi obrgada a guardar tudo na geladeira e esquentar quando chegassem. Eles chegavam 23h e quando tardavam 23h15. Mas nunca haviam ficado até depois da 00h fora. Ela estava morrendo de sono, sentada na sala e vendo TV. Henry dormia no andar de cima e com exceção da mulher anunciando uma nova câmera digital com pagamentos em até 15 vezes sem juros na televisão, a casa estava silenciosa até demais.

 E logo após algum tempo vendo televisão, sem notar, Alice cochilou no sofá. 


Fim do capítulo 39

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Capítulo 38

Capítulo 38


     Era 10h da manha e o despertador tocou no quarto de Kelly e Orlando.

Alice se levantou de pressa e esperou-os na sala de estar.

-Bom dia Alice – Disse dona Kelly descendo as escadas, deslumbrante como sempre.
-Bom dia senhora – Disse Alice da porta.
- Bom dia – Disse Senhor Orlando, sempre quieto.

Bom dia Senhor - Alice sorriu em resposta.

-Bom, hoje é dia de vacina. Ligue para o médico da família e agende para hoje mesmo. O numero está na agenda.
-Certo senhora.
-Ótimo, Estamos indo agora. Voltaremos para o jantar.
-Sim senhora... Senhora, queria te fazer uma pergunta.
-Pois não? - Disse Kelly parando em frente a porta e se virando para Alice, assim como Orlando.
-É que eu queria folga para depois de amanhã. Fui convidada para...
-Não Alice – disse Kelly cortando-a bruscamente. – Viajaremos depois de amanha e quero que você venha conosco. Sem mais.

Alice suspirou.

- Claro senhora.
-Otimo. Agora temos de ir.

Alice assentiu, abrindo a porta para os patrões.

-Adeus Alice, se cuide e cuide de Henry.

Ela sorriu em resposta e fechou a porta. Não seria desta vez que ela veria David.
Pegou o telefone e ligou para Duda.

-Alo? – atendeu Angela.
- Angel? Você não foi para a facul?
-Irei mais tarde. Aconteceu alguma coisa?
-Não, eu ia falar com Duda sobre isso, mas com você é melhor. É que eu não vou poder ir no show depois de amanhã. Vou ter que viajar com dona Kelly. – disse Alice com trsiteza na voz.
-Ah não acredito. E agora Alice?
-Eu não sei Angel, que droga!

Houve um silêncio.

-Já sei o que fazer! – Angela quebrou o silencio. – Eu mesma falarei com ele.
-Vai falar o que? – disse Alice, se enchendo de esperanças.
-Que sou sua amiga, que sei de tudo.
-Não sei não Angel.
- Pode deixar comigo amiga, de verdade.

Alice suspirou e Henry começou a chorar no andar de cima.

- Tá ta, pode ser. Confio em você. Vou desligar agora, tenho que dar vacina em Henry e fazer o jantar.

Elas se despediram e desligaram o telefone. Alice subiu as escadas para cuidar de Henry. Seu coração batia com tristeza e pesar.

Mas mal sabia ela que algo de muito pior estava para acontecer naquela noite.


Fim do capítulo 38

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Capítulo 37

Capítulo 37

   

       Alice acordou assustada. No seu relógio marcava 12h.
- Meu Deus! Estou atrasada! Tenho que ir cuidar de Henry!

Angela acordou com os gritos de Alice.

- O que esta acontecendo?
- Oh me perdoe Angel, estou atrasadíssima! É domingo eu já deveria estar recebendo Dona Kelly em casa!
-Alice, relaxa. Hoje..
- Como relaxa? – Alice cortou a fala de Angela – Nunca em atrasei antes Angela! Dona Kelly deve estar uma fera me esperando para o almoço!

Alice dizia e se trocava em tempo recorde.
- Alice! – Angela tacou o travesseiro na amiga – Pare de falar, meu Deus! Você não se lembra que está de folga hoje? E amanha também.

Alice então se lembrou que havia pedido folga de dois dias para Kelly e Orlando.
Ela se sentou na cama aliviada, suspirou fundo e deitou na cama novamente.

-Ufa, é verdade. Que susto!

Angela riu.

-Agora me devolva o travesseiro.
- Está muito longe – disse Alice ofegante.
-Está no seu pé! – Angela falou perplexa.
-Mas eu estou com preguiça.
-Alice! Para de reclamar e jogue logo!
-Por que não pega você?
-Ah.. Estou com preguiça tambem.
-Então pronto.
-Bocó!
-Você que é garota. – Disse Alice rindo. Ela pegou o  travesseiro e jogou em Angela que também ria.

 Ambas logo voltaram a dormir e só acordaram com Duda chacoalhando-as.

-Meninas, levantem-se! Vamos comer, já são 14h30m e vocês ainda estão dormindo! Eu já levantei, fui ao mercado, fiz o almoço que alias está esfriando e vocês continuam aqui babando no travesseiro! Tratem de levantar e virem comer o macarrão com batata e carne moída que eu fiz. – disse Duda puxando os cobertores de Alice e Angela que resmungavam.
-voce disse macarrão com batatas e carne moída? – disse Angela, levantando num pulo direto para a cozinha.
- você não vem Alice? – perguntou Duda.

Alice sorriu e se levantou, sentindo seu estomago roncar. Deu alguns passos em direção da porta quando Duda se pôs em sua frente.

- Mas antes, quero falar com você.
- O que foi? – Alice se espriguiçava.
- Primeiro, o que você e Angela tanto escondem de mim?
- Do que esta falando Duda? – as palavras de Duda foram como um balde de água fria em Alice.
- Não se faça de desentendida Alice. Já faz um tempo que eu estou percebendo. Já falei com Angela, disse que eu achava que vocês duas estavam namorando. E se for isso, quero dizer que eu não tenho preconceito com essas coisas, e vocês são minhas melhores amigas. Então eu acho que não temos mais que ter segredos por aqui, certo?

Alice riu alto.

-Não é nada disse Duda, que besteira. – ela sentiu um calafrio. – não é nada de mais, sério.
- Tudo bem, só quero que você saiba que em hipótese alguma eu escondi algo de vocês.
- Duda – Alice suspirou fundo – Olha, é difícil para mim te contar o que esta havendo. Tenho medo de como você irá reagir. Eu sei, você sabe que não podemos ter segredos entre nós já que somos melhores amigas e muito menos que eu, ou alguém, possa esconder algo pro resto da vida, mas você tem que saber também que eu te direi a verdade no momento certo. Não quero perder a sua amizade agindo por impulso, entende? Eu espero de coração que você entenda quando a hora certa chegar.

Duda abaixou a cabeça.

-Eu entendo Alice. Desculpe por estar desconfiando de vocês e tudo mais. Você sabe que independente do que for eu vou entender! Pois você é minha melhor amiga, assim como Angela e antes sua amizade do que qualquer outra coisa. E já que é tão sério eu vou esperar o momento certo.

Alice a abraçou.

-Obrigada Duda. Você não sabe como eu estou feliz em ouvir isso de você, mas eu prometo não demorar. Só te peço um pouco mais de tempo e paciência, o momento certo vai chegar e eu irei te contar tudo!

Duda sorriu e abraçou Alice mais forte.

-Pois afinal, uma verdadeira amizade tem vírgulas mas nunca, jamais um ponto final.

Alice sorriu e sentiu seus olhos arderem em lágrimas.

-Eu te amo amiga, obrigada.
-Certo, agora chega de melação e vamos comer! – disse Duda sorrindo.
- Certo! – Alice disse, limpando as lágrimas.

Duda riu.

-Boba... Ah! Tem mais uma coisa Alice.
-O que é?
-Voce disse que leria o bilhete de David comigo.

Alice fez uma cara de surpresa encenada.

-Oh Duda, eu esqueci ele no bolso do meu shorts! Que está para lavar, me desculpe!
 - Alice mordeu o lábio inferior, analisando a expressão da amiga.
-Ah, agora eu estou muito brava!
- Me perdoe..
-Te odeio Alice! – Disse Duda empurrando-a, de brincadeira.
-Não ficou tão brava como eu acharia que ficasse. – Alice estranhou.

Ambas chegaram na cozinha e sentaram-se na mesa, onde Angela comia.

- Sim, estou morrendo de raiva, mas é que tenho algo mais importante para contar.

Angela e Alice se entreolharam.

-A segunda surpresa de ontem que eu não contei, esqueceram?
-Ah sim, o que é? – Angela perguntou curiosa.

Duda deu um sorriso malicioso.

-Bom, não fiquei tão irada assim por que teremos a oportunidade de ir no próximo show, domingo que vem e então eu mesma pergunto ao David o que ele escreveu.
-Ah, ta. E com que dinheiro garota? Ganhou na loteria? – Todas riram.
-Não Angel, o David, simplesmente, se interessou tanto por mim que me deu mais três ingressos VIP’S para o sow de domingo. – disse Duda tirando os objetos do bolso e deixando-os a mostra.

Angela deixou o garfo cair de sua mão e Alice se engasgou com as batatas.

-Não acredito! – Disse Angela.

Alice bebia um copo d’agua inteiro, olhando arregaladamente os ingressos.

- Nem eu! – disse ela por fim.

Duda riu.

-Pois é meninas. Voces tinham que ver o interesse dele. Não saía um minuto sequer perto de mim.
-E porque ele te deu? – indagou Angela.
-Bom, ele falou que era para vocês duas terem a oportunidade de vê-lo novamente, já que ele achou que havia acontecido algo com vocês ontem. Isso é o que ele disse, mas eu vi nos olhos dele o desejo por mim. – Disse Duda fazendo gestos exagerados.
-E porque isso significa que ele está afim de você? – Angela a cortou bruscamente – e se ele estiver afim de mim... Ou de Alice?

Alice deu um pisao no pé de Angela e disse antes que Duda pudesse responder algo.

-Isso é coisa que se diga para a menina Angela! – Alice tremia e seu coração explodia no peito.
- Tuo bem Alice, ela diz isso porque não viu o jeito que ele olhava para mim e nem como ele ficou perto de mim o tempo todo. Ela não viu todo o interesse.

Alice suspirou e voltou a comer.

Elas não falaram mais nada durante o almoço, mas duas das três amigas naquela mesa, sabiam muito bem que aquele interesse todo era por causa de Alice.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Capítulo 36

Capítulo 36



Alice terminou de ler, chorando.
Angela estava do seu lado a abraçando.

-Eu não te falei? – sussurrou a amiga.

Alice estava paralisada olhando o papel.

-Ele me ama Angel... Ele ainda me ama. Será que depois de tudo o que eu fiz ele ainda me ama?
-E você ainda tem duvidas? Voces foram feitos um para o outro.
-Eu tenho vergonha de tudo o que eu fiz no passado. Com que cara eu vou olhar pra ele agora?
-Alice... Não fale assim. Sério, vocês tem que conversar!
-Como? Quando? Eu.. Eu não tenho coragem de ligar.
-No próximo chão então.
-Mas.. como assim Angela, não. Não temos dinheiro, você sabe.

E nesse momento, Duda bateu na porta.

-Meninas? Preciso pegar minha roupa!
-Já vai – gritou Angela.

Alice escondeu o papel dentro da fronha e se deitou em sua cama, simulando que estava dormindo.
Angela abriu a porta com as chícaras de chá vazia e sorriu para Duda.

-Fale baixo, Alice está dormindo.

Duda olhou desconfiada, com um roupão de banho e uma toalha verde limão enrolada na cabeça.

-Por que vocês sempre ficam trancadas no quarto? – Duda parou e ergueu as sombracenlhas olhando Angela – Ah meu Deus, eu devia ter notado antes.
- Oque foi? – Angela a analisou cuidadosamente.
-Ah Angel amiga, eu não ligo sério. Voces não precisam esconder isso de mim.

Angela sentiu um tremor

-Do que você está falando Duda?

Duda sorriu e deu um leve tapinha no ombro de Angela.

-Querida amiga, eu sou liberal pra essas coisas, não ligo mesmo.
-Duda... não estou entendendo.
-Ah amiga.. Eu já sei que vocês duas tem um caso. Mas olha, eu não ligo pra essas coisas! Sou muito liberal, não tenho preconceito nenhum, de verdade. Mas só peço uma coisa... Não na minha cama ta bom?
- Duda!!! – Angela quase caiu no chão de rir. – Olha o que você esta falando! Meu Desu que bobagem! Eu não estou namorando Alice, agorda garota!
-Bom.. Se não é isso, então estão escondendo algo de mim.

Angela sentiu um calafrio.

-Outra bobagem. Bom, eu vou tomar o meu banho agora. – disse Angela já andando.

Bom... eu não sou preconceituosa. Elas são minhas melhores amigas, não vejo por que me negarem. Bom cada um cada um, um dia elas me contam a verdade. – Pensou Duda e então foi dormir.

Fim do capítulo 36


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Capítulo 35

Capítulo 35





Alice dobrou o bilhete novamente e não lera nada mais além de um “Alice?” na parte superior esquerda. Seu corpo tremia por inteiro e ela entrou devagar na água quente.
Enquanto se lavava encarava o bilhete em cima de suas roupas e foi então que ela teve uma idéia para despistar Duda.

Alice saiu do chuveiro, se enchugou e se enrrolou na toalha. Pegou um pedaço de papel higiênico e amassou-o bem, colocando-o no bolso de seu sorts. Saiu do banheiro enrrolada e correu para a área de serviço do apartamento, jogando todas as roupas dentro da máquina de lavar. O verdadeiro bilhete estava em suas mãos.
Duda estava deitada no sofá e Angela estava na cozinha bebericando sua chícara de chá quente. Alice aproveitou a falta de atenção de Duda e correu para o quarto, escondendo o verdadeiro bilhete dentro da fronha de seu travesseiro. E então colocou seu pijama de coelhinhos, sua pantufa peluda e foi para a cozinha após pentear seus cabelos.

-Terminei. Pode ir Duda. – Disse Alice simulando cara de dor.
-Você está bem? – Indagou Duda.
-Estou morrendo de dor de cabeça. – Alice falou pegando sua xícara de chá.

Duda assentiu e foi para o banheiro.
 Ao ouvir o click  da fechadura do banheiro, Alice quase deixou sua xícara cair, puxando Angela.

-Venha, rápido! – Ela a levou até o quarto e trancou a porta do mesmo.
- O que foi? – Angela disse assustada – Você leu a carta?
-Não! Eu não tive coragem de ler sozinha. Eu coloquei papel dentro do meu shorts pra simular um acidente de “Oh Duda querida, perdi o bilhete. Mil desculpas.”
-Ela vai matar você Alice.
-Bom, foi um acidente. Mas enfim, rápido. Leia a carta. – Alice dizia entregando o bilhete para Angela.
-Mas é você que tem que ler Alice. – Disse Angela devolvendo o bilhete, mas Alice não o pegou.
-Não. Leia primeiro, por favor. E depois eu leio. Vá, anda logo!

Angela assentiu e virou as costas para Alice, abrindo o bilhete.

-Vira pra mim.
-Não, você não pode ler minha expressão. Surpresa – Disse Angela sorrindo.

Alice se jogou na cama.

-Ah droga. Ok leia rápido.

Angela começou a ler o bilhete, de costas para Alice de modo que não se conseguia ver sua expressão. Mas mesmo assim Alice a olhava cuidadosamente, tentando ouvir o barulho da água do chuveiro.
Vez ou outra Angela virava para olhar Alice. As vezes com um sorriso, as vezes séria, o que deixava Alice louca de curiosidade.
E então Angela terminou de ler e se virou para Alice com o bilhete aberto em suas mãos.

-Eu acho melhor você ler agora! – Angela falou com expressão séria, entregando o bilhete para Alice que o pegou.

Respirou fundo.

E desta vez, começou a ler...

Fim do capítulo 35